laura alves – escrevendo a minha história 📖✒️🍎

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uma história por dia não sabes o bem que te fazia

Marrocos – Uma Viagem à Alma dos Berberes


Aterrei em Marraquexe sob um calor intenso que parecia envolver cada respiração.🥵


Levo sempre comigo um livro 📒para marcar cada viagem, como um marco emocional, tal como a música🎶que fica comigo gravada, dos países que visito.

Desta vez, era Tu és Aquilo que Pensas, de James Allen, um guia memorável e simples de ler para introspecção e sabedoria.


O táxi 🚖levou-me até aos autocarros com destino a Agadir.

De lá, segui para Taghazout, uma pequena aldeia costeira cheia de energia de praia, surf e turismo.⛱️👙

Tapetes vibrantes estendiam-se pelas ruas, enquanto os terraços fervilhavam com a harmonia do ioga e das práticas de respiração consciente.

Lojas exibiam cerâmicas marroquinas, e os vendedores, com os seus sorrisos astutos, regateavam preços como parte do ritual.

O meu pequeno-almoço favorito rapidamente se tornou um hábito precioso: doce e cremoso amlou, servido com pão marroquino fresco🍞, acompanhado de chá de hortelã🫖, cujo aroma parecia aquecer não apenas o corpo, mas também a alma.

Escolhi Taghazout por um propósito mais profundo: mergulhar na cultura berbere.


Durante um mês, vivi com a família de Simo e Radhija numa casa simples, mas acolhedora, de três andares com vista para o mar.

Uma casa sem janelas e sem portas mas com muito amor e sentido de comunidade.

Radhija, ou Ina, como passei a chamá-la (mãe, em berbere), acolheu-me como se fosse um dos seus.

Acordava ao som do Azan, o chamamento para a oração, ecoando pela aldeia às seis da manhã.⏰

Era impossível não sentir a espiritualidade a pulsar dentro de mim profundamente. Eu sempre amei culturas diferentes da Europa, pois ela levam-me a lugares dentro de mim que de outra forma, não iria conhecer.

Viajar para locais distantes, na realidade, faz-me sentir mais perto de mim.

Passava horas a conversar com Simo, o filho do meio e instrutor de surf. 🏄🏻

Ele falava com paixão sobre o Islão, o Alcorão e os seus ensinamentos.📚


Caminhávamos 👣todos os dias quilómetros juntos🚶🏻‍♂️🚶🏼‍♀️, atravessando paisagens deslumbrantes enquanto ele partilhava histórias e tradições.

Recordo-me de uma manhã em que passeávamos pela praia. 🏖️

A água morna acariciava os meus pés, enquanto vendedores passavam, equilibrando tabuleiros com chá de hortelã e doces tradicionais.

🐫Camelos decorados, prontos para fotografias, desfilavam ao nosso redor, enquanto cães vadios brincavam livremente.

Os finais de tarde eram mágicos. 🌅

Sentávamo-nos em cafés à beira-mar, a saborear chá de hortelã e a ouvir contos berberes.

Um dia, a Ina ofereceu-me uma bela jelaba cor-de-rosa, a tradicional túnica árabe.

Ao vesti-la, senti-me conectada à terra, envolvida pelas suas cores e pela generosidade do seu povo.

As noites eram dedicadas à família. Reuníamo-nos em torno de uma pequena mesa redonda, partilhando um grande tajine. 🍴😋

Antes de cada refeição, dizíamos “Bsaha” ou “Bismillah”, agradecendo a Deus pela abundância. Não havia sofás, apenas grandes almofadas douradas onde nos acomodávamos.

Num dia inesquecível, o Simo e eu subimos numa mota 🏍️em direcção às montanhas, com um saco de tâmaras compradas no mercado local.

A paisagem era deslumbrante: oliveiras e arganeiras pintavam o horizonte. Encontrámos as famosas cabras que se equilibravam nas árvores, como se fossem guardiãs mágicas da cultura berbere.

Numa loja modesta, comprei óleo de argão puro.

O seu aroma transportava-me diretamente às raízes deste povo antigo.

As montanhas guardavam gerações de memórias.

Os berberes, ou Imazighen — “homens livres” —, são o coração do Magrebe.

Entre as estradas sinuosas e as cascatas de Ouzoud, senti a energia da terra e uma ligação profunda à natureza e à história.

O Mustafa, o filho mais novo, sonhava em partilhar a sua arte com o mundo. Passava horas a desenhar, pintar, fotografar e criar🖌️.

A sua paixão era inspiradora, e os seus 16.000 seguidores no seu Instagram eram apenas o início. Ele lembrou-me que os nossos sonhos são o combustível da alma.🔥

Na minha última noite, o terraço da casa tornou-se o palco de uma festa de despedida.

O Mustafa e a Ina grelharam as melhores sardinhas que já provei, e partilhámos risos, histórias e chá.

Quando o amanhecer chegou e foi hora de partir, abraçámo-nos com carinho. Senti uma lágrima deslizar, carregando a saudade que já sabia que ia sentir.

Deixei Taghazout com mais do que memórias: levei comigo a música dos berberes, com os seus instrumentos únicos como o Oud e o Guembri, feitos de pele de camelo ou de cabra.


As melodias das ruas e o som dos ventos a atravessar as montanhas ficaram comigo. Levei a alma de uma cultura que me acolheu como uma das suas.

Até nos voltarmos a encontrar, minha família berbere.

Levo-vos comigo, sempre no meu coração.

Livro ” Tu és aquilo que Pensas” de James Allen
Família Marroquina – Mustafa à minha esquerda e Ina à direita
Arquitetura Marroquina
Tajine
Chá Marroquino de Hortelã
Pôr do Sol na Praia
Música Bérbere
Sardinhas
Eu e Ina
Jelaba -Vestido tradicional bérbere


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